Celebrado em 18 de junho, o Dia Mundial do Orgulho Autista propõe uma reflexão sobre aceitação, respeito e valorização das pessoas no espectro autista, e sobre as vivências de suas famílias. É nesse contexto que o Instituto ALMAI realiza no dia 30 de junho,em Santos (SP), a segunda edição do evento Espelho d’Alma – Um convite para se enxergar além do reflexo.
Gratuito e aberto ao público, o encontro acontece das 18h às 21h30, na Associação Paulista de Medicina (APM), e é voltado a mães atípicas e responsáveis do gênero feminino por crianças com deficiência. A proposta é oferecer um espaço de acolhimento, escutae reconhecimento, ampliando o olhar lançado durante o mês de junho para além das pessoas autistas, incluindo também quem vivencia diariamente os desafios e potências dessa realidade.
A programação inclui palestras, dinâmicas, momentos de reflexão e a exibição de um documentário inédito, além da premiação da segunda edição da Exposição Mães Atípicas: Retratos da Vida. As inscrições são gratuitas, disponíveisno Sympla, eas vagas são limitadas.
O evento integra a campanha Mães Atípicas: Retratos da Vida, que, ao longo do mês de maio, reuniu 100 retratos de mães atípicas acompanhados de relatos reais. As imagens foram exibidas no Shopping Pátio Aviação, em Praia Grande, onde o público pôde votar nashistórias que mais o sensibilizaram. As três mais votadas serão anunciadas e premiadas durante o encontro.
Voz e reconhecimento
O Espelho d’Alma foi pensado como uma experiência de conexão e pertencimento. A noite começa com coffee break de boas-vindas e segue com atividades de autoconhecimento e fortalecimento emocional das participantes, incluindo dinâmicas conduzidas pelaequipe da Academia ALMAI e um momento exclusivo dedicado às mães.
Antes da premiação, será exibido um documentário produzido com as finalistas da exposição e pessoas envolvidas no projeto, preparando o público para o momento mais simbólico da noite.
“A premiação é o fechamento, mas o centro do evento são elas”, destaca Polyanna Oliveira Muniz, sócia e diretora da instituição. A proposta é transformar a exposição em uma experiência viva, em que cada mãe se reconheça, se emocione e perceba que sua trajetóriafoi vista com respeito.
Leveza nos desafios
Para a professora Ana Maria Silva, a maternidade atípica é uma realidade compartilhada em família, com três dos seus quatro filhos sendo atípicos: João Pedro, de 5 anos, Catarina, de 3, e Gabriela, de 2. Ela reconhece que os diagnósticos trouxeram desafios,mas aponta que o suporte recebido faz toda a diferença.
“Eu tenho apoio integral do meu marido, talvez isso torne a minha jornada mais leve. Outro motivo é que meus filhos iniciaram as intervenções bem cedo, e esse acompanhamento torna o caminho mais fácil”, revela ela, cujos filhos são atendidos pelo Instituto ALMAI.
O aprendizado da maternidade atípica transformou profundamente a vida da funcionária pública Kátia Torres, mãe de Lucas, 9 anos, e Thiago, de 3. As mudanças depois de se tornar mãe também mostraram um outro lado sobre a sua própria vida.
“Meus filhos me ensinaram sobre amadurecimento e como devemos valorizar apenas quem nos dá valor. Eu sempre mostro para eles que, apesar dos desafios, a gente pode levar a vida com leveza e alegria. E com eles eu olho o melhor da vida”.
Maternidade atípica
Lançado em 2025, o projeto Mães Atípicas: Retratos da Vida nasceu com o objetivo de dar visibilidade às histórias de mães de crianças com deficiência, destacando trajetórias marcadas por força, amor e resiliência. A exposição fotográfica reuniu relatosque impactaram o público e ampliaram o debate sobre a maternidade atípica.
“O Espelho d’Alma é o encerramento presencial dessa iniciativa, promovendo um encontro que vai além da imagem, conectando essas histórias a um espaço de cuidado e troca, em sintonia com o objetivo do Dia do Orgulho Autista, que reforça a importância da inclusãoe da valorização das diferentes formas de existir”, conclui Polyanna.
O Instituto
O Instituto ALMAI é uma organização dedicada ao atendimento especializado de crianças com Transtornos do Neurodesenvolvimento, com especialidade em Transtorno do Espectro Autista (TEA), Paralisia Cerebral e Deficiências Motoras, oferecendo acompanhamento multidisciplinarindividualizado com base em evidências científicas.
Com atuação na Baixada Santista, a instituição desenvolve iniciativas que vão além do atendimento clínico, promovendo pertencimento, informação e cuidado integral para famílias atípicas.