UBS do século XXI na Baixada Santista: mais que reforma, uma atualização tecnológica na base do SUS paulista, Por Humberto Tobé e Melissa Souza Jorge

Redação Santos Notícias

A Baixada Santista vive um momento decisivo para a Atenção Primária à Saúde. A modernização das Unidades Básicas de Saúde (UBS) por meio do Combo de Equipamentos do Novo PAC representa mais do que a renovação da estrutura física: significa incorporar tecnologias capazes de ampliar a capacidade diagnóstica, qualificar o atendimento e resolver um maior número de problemas de saúde na própria unidade.

Equipamentos como desfibriladores externos automáticos, eletrocardiógrafos, espirômetros digitais, retinógrafos portáteis, doppler vascular, câmaras frias para vacinas, USG portátil e cadeira de rodas permitem que a UBS deixe de ser apenas a porta de entrada do SUS para se tornar também um espaço de resolução clínica.

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Esse investimento responde a um dos principais desafios da saúde pública: evitar que casos de baixa e média complexidade cheguem desnecessariamente às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais. Quanto maior a capacidade diagnóstica e terapêutica da Atenção Primária, menor a sobrecarga da rede de urgência e maior a rapidez no atendimento dos casos realmente graves.

A modernização tecnológica das UBS deve ser compreendida como uma estratégia permanente de fortalecimento do Sistema Único de Saúde. Não basta reformar prédios, é necessário equipar as unidades para que médicos, enfermeiros e demais profissionais tenham condições de realizar diagnósticos mais rápidos, acompanhar doenças crônicas e iniciar tratamentos sem depender, em muitos casos, do encaminhamento imediato para serviços especializados.

O Ministério da Saúde incorporou essa lógica ao Novo PAC Saúde, que prevê a distribuição de 10 mil Combos de Equipamentos para UBS em todo o país. Os equipamentos são destinados às unidades selecionadas para fortalecer a Atenção Primária, promovendo maior resolutividade, ampliação do acesso e redução das desigualdades regionais. O programa estabelece ainda que os equipamentos sejam utilizados exclusivamente nas UBS do SUS, garantindo que os investimentos federais se convertam diretamente em melhoria da assistência prestada à população.

A construção de um SUS mais eficiente começa na unidade de saúde mais próxima da casa das pessoas. Equipar as UBS com tecnologia de ponta não é apenas modernizar equipamentos, é fortalecer a prevenção, ampliar a capacidade de cuidado e tornar o sistema público mais resolutivo. Quando a Atenção Primária funciona plenamente, toda a rede de saúde funciona melhor.

*Humberto Tobé é Pós-Graduado em Gestão da Saúde Pública, trabalha na interlocução com prefeitos, vereadores, gestores municipais e representantes da área da saúde dos municípios paulistas.

*Melissa Souza Jorge é bacharela em Ciências e Humanidades, graduanda em Planejamento Territorial na Universidade Federal do ABC (UFABC) e pesquisadora no Centro de Estudos de Favelas (CEFAVELA).

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