O sinal bate e os cadernos vão para as mochilas. O entusiasmo aumenta e a expectativa toma conta de toda a turma. Antes mesmo do professor entrar, os alunos já sabem, é hora da Educação Física.
Para quem já foi aluno e esperou ansiosamente por esse momento, a sensação é conhecida. O dia da aula de Educação Física sempre teve uma alegria e um sabor diferente.
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“Eu gosto demais porque a gente brinca e se diverte!”, conta a aluna Marcela Lisboa Santos, resumindo em poucas palavras o sentimento que costuma tomar conta da turma quando chega a hora de deixar a sala de aula e ocupar a quadra.
Para Lara de Carvalho Ramos, a aula também é uma oportunidade de experimentar novas modalidades. “A gente aprende vários esportes e é muito legal”, afirma.
Mas o que os estudantes nem sempre percebem é que nem tudo se resume à quadra. O que parece apenas diversão tem muito mais história, planejamento e compromisso.
Para cada atividade existe um planejamento. Cada movimento tem um propósito. Cada jogo ensina alguma coisa. E, por trás da corrida, do salto, da bola e das brincadeiras, existe um professor que pensou em como aquele aprendizado pode acompanhar seus alunos por muito mais tempo do que os 50 minutos de aula.
É assim que o professor Bruno Santos Novoa, da Rede Municipal de Itanhaém, enxerga a profissão.
Efetivo da EM Filomena Dias Apelian e professor da rede há mais de uma década, Bruno escolheu fazer da Educação Física seu campo permanente de estudo. Aos 35 anos, já possui mestrado e não se cansa de se preparar para novos desafios.
Na escola, o resultado desse trabalho também aparece na forma como os próprios estudantes percebem a aula. Para Nicoly de Oliveira Gomes, além de se divertir, a turma desenvolve habilidades importantes para a convivência.
“A gente se distrai e também aprende a trabalhar em equipe!”, destaca a aluna.
É justamente essa combinação entre movimento, diversão e aprendizado que faz a Educação Física ocupar um espaço importante na formação dos estudantes.
Para Bruno, o desafio não é simplesmente fazer com que o estudante participe da aula. É ajudá-lo a compreender por que participar é importante para sua vida.
“É muito comum o afastamento dos adolescentes das práticas de Educação Física e meu objetivo é sempre reverter isso”, explica.
Para isso, o professor defende uma Educação Física que ultrapasse os muros da escola. “Eu desenvolvo o pensamento de que a Educação Física não é apenas conteúdo da escola, mas para a vida, além dos muros da escola, nos âmbitos da saúde e do lazer, fazendo-os autônomos para levar as práticas corporais nesses dois sentidos”, afirma.
Na prática, isso significa ensinar muito mais do que regras de um jogo ou movimentos de um determinado esporte.
É mostrar aos estudantes que conhecer o próprio corpo, experimentar diferentes práticas corporais e descobrir atividades que proporcionem prazer pode ajudá-los a construir hábitos que levem para a vida adulta.
Enquanto os alunos enxergam a bola, a brincadeira, os amigos e a liberdade, o professor enxerga possibilidades. Um estudante que pode descobrir uma modalidade de que gosta. Outro que pode encontrar na atividade física uma forma de cuidar da saúde. E aquele que, anos depois de deixar a escola, talvez escolha continuar se movimentando porque aprendeu que o exercício também pode fazer parte do seu lazer e do seu bem-estar.
Para a diretora Fátima Brito, a importância da disciplina vai muito além do momento de descontração.
“A Educação Física é muito mais do que uma atividade. Ela contribui para tudo, a convivência, a saúde e a formação deles. Não é à toa que os professores de Educação Física são os mais amados da escola”, destacou.
E talvez seja justamente aí que esteja um dos maiores segredos da disciplina. A criança chega à quadra porque quer brincar. Permanece porque se diverte. Mas, enquanto corre, joga, pula, experimenta e aprende a trabalhar em equipe, também está desenvolvendo habilidades que podem acompanhá-la por toda a vida.
É nesse ponto que a Educação Física deixa de ser apenas a aula mais esperada da semana e passa a cumprir um papel que pode acompanhar o aluno por muitos anos.
No Dia do Profissional de Educação Física, a história de Bruno representa a de tantos professores que ocupam as quadras das escolas municipais de Itanhaém e transformam movimento em conhecimento, convivência e hábitos saudáveis.
Porque, quando o sinal toca, a aula pode até terminar. Mas o aprendizado não precisa parar ali.
Esporte é saúde. E cuidar da saúde é um hábito que deve ser cultivado por toda a vida.