De repente, o mundo parece perder a cor. As amizades que antes faziam bem deixam de despertar interesse. Atividades preferidas já não provocam a mesma alegria e aos poucos, a vontade de estar perto das pessoas pode dar lugar ao isolamento.
Nem sempre quem está ao redor percebe. E nem sempre quem está sofrendo consegue explicar o que está acontecendo.
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Mais do que uma tristeza passageira, esses podem ser sinais de que algo não vai bem e precisa de atenção. A depressão e outros transtornos mentais podem afetar crianças, adolescentes e adultos e em situações graves, trazer o risco de suicídio. Por isso, falar sobre saúde mental, reconhecer sinais e, principalmente, saber onde buscar ajuda pode fazer toda a diferença.
Neste 10 de setembro, Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, a Prefeitura de Itanhaém reforça a importância do cuidado com a saúde emocional e apresenta iniciativas da Secretaria Municipal de Educação que transformam a escola também em espaço de escuta, acolhimento e proteção.
Perder alguém querido, terminar um relacionamento, mudar de cidade, enfrentar dificuldades no trabalho ou passar por outras situações que fogem do nosso controle pode provocar tristeza, desânimo e sofrimento.
Esses sentimentos fazem parte da vida. O alerta aparece quando eles persistem, se intensificam e começam a interferir na rotina, nos relacionamentos e na capacidade de realizar atividades que antes eram prazerosas.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
Perda de interesse ou prazer: atividades antes agradáveis deixam de fazer sentido;
Cansaço frequente: falta de energia mesmo para tarefas simples;
Alterações no sono: dificuldade para dormir ou sono excessivo;
Mudanças no apetite: aumento ou redução significativa da alimentação;
Sentimentos de culpa, inutilidade ou desesperança;
Dificuldade de concentração e alterações na memória;
Isolamento social e mudanças importantes no comportamento.
Vale lembrar que um ou outro desses sinais, isoladamente, não significa necessariamente depressão. Mas mudanças persistentes no comportamento devem ser observadas e podem indicar que é hora de procurar ajuda profissional.
Assim como cuidamos do corpo, cuidar da mente também precisa fazer parte da rotina.
Para crianças e adolescentes da rede municipal, a escola pode ser um dos primeiros lugares onde uma mudança de comportamento é percebida.
Professores, gestores e equipes escolares convivem diariamente com os alunos e, por isso, podem identificar alterações que passam despercebidas em outros ambientes.
É justamente nesse ponto que entra o Napi (Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusão).
Segundo a psicóloga Daila Fernandes, responsável pelo atendimento, os gestores das unidades escolares passam por capacitações para reconhecer situações que podem indicar sofrimento emocional entre os estudantes.
“Durante o acolhimento, quando percebemos a necessidade de um atendimento especializado, a criança ou o adolescente é encaminhado para a Saúde, por meio do Programa Cuidar”, explica.
O objetivo não é diagnosticar dentro da escola, mas perceber que algo mudou, oferecer escuta e encaminhar o estudante para o atendimento adequado quando necessário.
Mas quem cuida também precisa ser cuidado.
Se os alunos encontram na escola um espaço de acolhimento, os profissionais da Educação também contam com esse cuidado.
O Programa SER (Saúde Emocional em Rede) oferece acolhimento aos funcionários da rede municipal de Educação. O atendimento pode ser procurado espontaneamente pelo servidor ou ocorrer a partir de um encaminhamento da equipe gestora.
À frente do programa está a psicóloga Ana Paula Lisboa, que tem acompanhado profissionais em diferentes momentos de dificuldade.
E, muitas vezes, o primeiro passo é simplesmente encontrar alguém disposto a ouvir.
Uma funcionária da rede, que prefere não ser identificada, encontrou no SER um espaço para falar sobre situações que estavam tornando sua rotina profissional mais difícil.
Ela conta que, naquele período, sentia-se rejeitada pelos colegas e acabou se afastando cada vez mais da equipe. Com o acompanhamento, passou a olhar para as situações sob outras perspectivas, compreender melhor seus sentimentos e perceber como algumas interpretações contribuíam para aumentar seu sofrimento.
Hoje, relata viver uma rotina mais leve.
A história mostra que pedir ajuda não significa fraqueza. Significa reconhecer que, em determinados momentos, ninguém precisa carregar tudo sozinho.
Quando o assunto é saúde emocional, não existe uma única solução. O cuidado é construído por uma rede que envolve família, escola, profissionais de saúde e a própria comunidade.
Por isso, identificar mudanças, conversar sem julgamentos e procurar ajuda são atitudes importantes.
Na Educação de Itanhaém, o Napi e o Programa SER representam duas portas de acolhimento: uma voltada aos estudantes e outra aos profissionais que fazem a Educação acontecer todos os dias.
Porque antes de ensinar, cuidar ou trabalhar, existe uma pessoa.
E toda pessoa pode passar por momentos difíceis.
O mais importante é não enfrentar esses momentos em silêncio.
Se você percebeu mudanças importantes em alguém próximo, converse, escute e incentive a busca por ajuda profissional. Em situações de crise ou risco imediato, procure o serviço de emergência ou o atendimento de saúde disponível em sua região.