Educação antirracista é tema de palestra para profissionais da rede municipal de ensino

Redação Santos Notícias

A importância do letramento racial e da construção de uma educação antirracista desde a primeira infância foi tema de uma palestra realizada com profissionais da rede municipal de ensino. O encontro foi conduzido por Henrique Pessoa, diretor, professor de Língua Portuguesa e Língua Inglesa e vice-coordenador da Comissão de Educação Antirracista.

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Durante a atividade, Henrique abordou temas como racismo, representatividade, identidade, lugar de fala e os impactos que atitudes discriminatórias podem provocar na vida de crianças e adolescentes. A proposta foi promover reflexão e ampliar o olhar dos profissionais da educação para a construção de práticas pedagógicas que valorizem a diversidade e contribuam para o enfrentamento ao racismo.

Henrique destacou que a consciência sobre as questões raciais não nasce pronta, mas é construída a partir das experiências vivenciadas ao longo da vida. Nesse contexto, o letramento racial é uma ferramenta importante para compreender como o racismo se manifesta na sociedade e também para reconhecer comportamentos que podem ser reproduzidos no cotidiano.

Um dos pontos abordados foi a importância de trabalhar a temática racial desde a educação infantil. Segundo Henrique, comentários que podem parecer simples aos adultos são capazes de afetar a autoestima de uma criança e deixar marcas em seu desenvolvimento.

Por isso, a escola tem papel fundamental na construção de ambientes em que diferentes identidades, histórias e características sejam respeitadas e valorizadas.

Durante a palestra, também foram apresentadas atividades que podem ser desenvolvidas com as crianças, aproximando o tema de situações presentes no cotidiano escolar.

A representatividade foi outro aspecto destacado durante o encontro. Para Henrique, a presença de pessoas negras em diferentes espaços profissionais e, especialmente, em posições de liderança, contribui para que crianças negras possam enxergar novas possibilidades para o próprio futuro.

Uma das experiências compartilhadas pelo diretor foi justamente a relação construída com os estudantes no ambiente escolar. Para ele, ouvir uma criança negra dizer “Oi, diretor Henrique, bom dia” representa muito mais do que uma simples saudação: significa que aquela criança tem diante de si uma referência negra ocupando um espaço de liderança.

A atividade também abordou o conceito de “lugar de fala”, apresentado não como um espaço proibitivo, mas como uma perspectiva de análise que considera as diferentes experiências sociais e históricas de cada grupo.

Henrique também compartilhou parte de sua trajetória pessoal. Aos 19 anos, ingressou no curso de Letras após conquistar uma bolsa integral de estudos. Na época, havia enviado uma carta à reitoria relatando seu desejo de cursar a graduação, mas a dificuldade financeira impossibilitava o pagamento da faculdade.

Entre aproximadamente 200 cartas recebidas, apenas 10 bolsas foram disponibilizadas. Ao ouvir seu nome ser chamado, Henrique viveu um dos momentos mais marcantes de sua trajetória.

Segundo ele, aquela conquista possui um significado que ultrapassa bens materiais adquiridos posteriormente, por representar uma oportunidade que transformou sua história por meio da educação.

A professora do ensino integral Fernanda Gerson destacou a importância de contar com referências como Henrique dentro da educação.

“A palestra do diretor Henrique Pessoa foi de grande importância e significado para mim. Ter alguém que nos represente na Educação e fale das nossas batalhas e angústias que passamos diariamente devido à cor da nossa pele é um refrigério em nossa caminhada. Sinto-me lisonjeada em fazer parte de uma equipe em que a minha voz é sentida, ouvida e notada”, afirmou.

Ao abordar as desigualdades raciais, Henrique também destacou que os efeitos de séculos de escravidão ainda podem ser percebidos na sociedade brasileira, especialmente quando observadas situações de pobreza, violência e vulnerabilidade que atingem de forma desigual a população negra.

A palestra reforçou a necessidade de reconhecer essas desigualdades e trabalhar o tema de maneira contínua no ambiente escolar. A educação antirracista, nesse sentido, não se resume a uma atividade pontual, mas envolve práticas que promovam respeito, representatividade, valorização da diversidade e enfrentamento ao racismo desde os primeiros anos de formação.

O encontro proporcionou aos profissionais da rede municipal um espaço de reflexão sobre o papel da escola na construção de uma sociedade mais igualitária, mostrando que a transformação também começa nas relações estabelecidas diariamente dentro da sala de aula.

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