“Nunca saberemos o quão fortes somos até que ser forte seja a única escolha.” Essa frase, de autor desconhecido, traduz muito da realidade vivida por milhões de mulheres. São mulheres que foram abandonadas pelos companheiros e que, mesmo diante das dificuldades, assumem sozinhas o papel de chefes de família. Sustentam seus filhos e suas casas com um salário mínimo, se desdobram diariamente para manter o lar de pé e, muitas vezes, se colocam em segundo plano para que nada falte a quem amam.
Acordam ainda de madrugada para preparar a comida dos filhos, lavar roupas e organizar a casa. Enfrentam ônibus lotados, longas distâncias até o trabalho e, muitas vezes, subempregos marcados por jornadas duras e humilhações silenciosas. Mesmo após um dia exaustivo, retornam para casa e continuam trabalhando: cuidam da casa, dos filhos e dormem poucas horas. Nos fins de semana, muitas ainda fazem faxinas para complementar a renda. O tempo que sobra para si mesmas ou para a família é mínimo — e, ainda assim, elas não desistem de sonhar com um futuro melhor.
Há também mulheres que vivem dentro de relações abusivas, sendo vítimas de diferentes formas de violência. Sofrem em silêncio, muitas vezes sem saber a quem recorrer. A cada dia, uma parte de seus sonhos e de sua autoestima é ferida. A tristeza e as lágrimas deixam marcas profundas. Em muitos casos, ainda enfrentam o desprezo da própria família do companheiro, o que torna essa dor ainda mais cruel.
Infelizmente, ainda existem aqueles que julgam essas mulheres, dizendo que “sofrem porque querem”. Mas a realidade é muito mais complexa. Muitas se casaram jovens, tiveram vários filhos, interromperam os estudos e deixaram o mercado de trabalho. Hoje, não possuem condições financeiras ou emocionais para recomeçar com facilidade. Depois de anos de sofrimento, o psicológico fica abalado, e a mulher se sente incapaz de reagir. Ainda assim, continuam lutando — principalmente por seus filhos.
Mesmo diante de tanto esforço, muitas dessas mães ainda enfrentam outro desafio doloroso: ver seus filhos se perderem no álcool ou nas drogas, sem encontrar apoio ou orientação para ajudá-los. Essas mulheres são fortes. São resistentes. São capazes. E é a elas que dedico minha profunda admiração neste mês dedicado às mulheres.