Alunos da Rede Municipal aprofundam estudos sobre a Jararaca-ilhoa em projeto de Ciência Cidadã

Redação Santos Notícias

A Secretaria de Educação (SEDUC) de Itanhaém realizou, nesta terça-feira (1º), mais um encontro do projeto Ciência Cidadã, iniciativa que aproxima estudantes da pesquisa científica e incentiva a construção do conhecimento por meio da investigação.

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O projeto reúne um representante de cada uma das 13 escolas municipais dos anos finais do Ensino Fundamental. Os alunos foram indicados pelos professores por demonstrarem afinidade com a área de Ciências. Os encontros acontecem semanalmente, de forma presencial ou on-line. Quando presenciais, são realizados em diferentes espaços, como a Biblioteca, o Centro de Treinamento e o Bosque do Saber.

Desenvolvido a partir do projeto de mestrado da professora Querén Cristina Delboni, da Universidade de São Paulo (USP), o trabalho ganhou força com uma parceria entre a Secretaria de Educação e o Instituto Butantan. Após diversas discussões sobre as potencialidades da região, os estudantes escolheram voltar seus estudos para a jararaca-ilhoa, espécie encontrada exclusivamente na Ilha da Queimada Grande, em Itanhaém.

A assessora da área de Ciências da Secretaria de Educação, Adriana Sitta, destacou a importância de aproximar a ciência da comunidade.

“A ciência não pode ficar restrita aos laboratórios e aos grandes centros de pesquisa. Ela precisa ter uma linguagem fácil e acessível para todas as pessoas. Quando a gente produz conhecimento científico com alunos do Ensino Fundamental, está mostrando que isso é possível. E para os alunos isso também é importante, porque começamos a trazer sonhos e a experimentação de outras áreas. O Ensino Fundamental serve para isso: descobrir talentos.”

Ela também explicou a importância da escolha da espécie.

“A jararaca-ilhoa só existe aqui, na Ilha da Queimada Grande. Ela é nossa, daqui de Itanhaém. É importante que os alunos conheçam essa espécie para que a gente consiga preservá-la. Como ela está restrita a uma única ilha, precisamos pesquisar, conhecer seu potencial e trabalhar pela sua conservação.”

A professora Quéren explicou que o projeto nasceu durante seu mestrado na USP, a partir do contato com um pesquisador do Instituto Butantan.

“Esse projeto surgiu do encontro com um professor que trabalha no Butantan. A partir disso começamos a elaborar um projeto, e ele me apresentou minha orientadora, a professora Alessandra, que já desenvolve vários projetos aqui em Itanhaém.”

Ela também ressaltou a importância da divulgação científica.

“Trabalhar com alunos é uma forma de combater algumas ideias que levam as pessoas a terem uma percepção errada sobre a ciência e sobre como ela é feita. A divulgação científica vem justamente para trazer uma visão mais ampla. Às vezes, as pessoas já têm um conhecimento, mas ele precisa de um toque da ciência para gerar uma conscientização maior. Queremos que elas sigam um caminho mais científico, questionando, testando, investigando. É isso que estamos trabalhando com os alunos, e tem dado muito certo.”

Representando a Escola Municipal Eugênia Pitta, a aluna Manoela Calixto contou o que vem aprendendo durante os encontros.

“Atualmente, no projeto, estamos aprendendo e estudando sobre a jararaca-ilhoa, suas características e curiosidades, para aprofundar os conhecimentos dos alunos, desenvolver novos interesses e criar profissionais para essa área. Escolhemos a jararaca porque acreditamos que ela pode nos proporcionar muito conhecimento e também pela possibilidade de extinção, já que é uma espécie nativa apenas da Ilha da Queimada Grande.”

O biólogo e educador do Laboratório de Ecologia do Instituto Butantan, Rafael Mendes Teixeira, destacou que o projeto também ajuda a mudar a forma como as pessoas enxergam as serpentes.

“Eu acho esse interesse muito legal, porque as cobras, de forma geral, despertam sentimentos muito diferentes, desde o medo extremo e a fobia até a admiração e a curiosidade. Ter a oportunidade de trabalhar isso e trazer um contato mais próximo, desmistificando algumas informações, é muito importante. Quando falamos em conservação, não é só o pesquisador ir para o meio do mato estudar o animal. Também precisamos trabalhar a percepção das pessoas sobre ele, e essa é a oportunidade perfeita.”

Durante toda a atividade, os estudantes demonstraram grande curiosidade, participaram ativamente das discussões e fizeram diversas perguntas aos pesquisadores.
Além das atividades teóricas, os estudantes participaram de uma experiência prática ao conhecer de perto um exemplar de falsa-coral, serpente que apresenta coloração semelhante à da coral-verdadeira. A atividade permitiu que os alunos observassem o animal, tirassem dúvidas e desmistificassem crenças sobre as serpentes, despertando ainda mais a curiosidade e o interesse pela conservação da fauna.

Ao final do encontro, receberam os livros A Ilha das Cobras e Jararaca Sim, com Muito Orgulho, ampliando ainda mais o contato com o tema.

A iniciativa reforça o compromisso da Secretaria de Educação em incentivar a pesquisa, despertar o interesse pela ciência e formar estudantes mais críticos e conscientes sobre a importância da preservação da biodiversidade de Itanhaém.

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