Capital paulista zera feminicídios em abril e alcança resultado que não ocorria desde 2023
A cidade de São Paulo zerou os casos de feminicídio no mês de abril deste ano, resultado que não era alcançado desde janeiro de 2023. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do estado, em abril do ano passado, a cidade havia registrado seis mortes de mulheres. No acumulado do ano, a capital também apresentou queda nos casos. Entre janeiro e abril, aconteceram 17 feminicídios, contra 23 no mesmo período de 2025.
Para representantes das polícias Civil e Militar, os resultados refletem o reforço das ações de combate à violência contra a mulher desenvolvidas pelo Governo de São Paulo, que vem ampliando operações investigativas, programas de acolhimento e mecanismos de proteção às vítimas em todas as regiões do estado.
“Cada caso evitado representa uma vida preservada e uma mulher que conseguiu romper o ciclo da violência antes que a situação chegasse ao extremo. Esse resultado mostra a importância de fortalecer os canais de denúncia, o acolhimento especializado e a atuação integrada das forças de segurança”, afirmou a delegada Cristiane Braga, coordenadora das Delegacias de Defesa da Mulher (DDM) do estado.
*Feminicídios são monitorados para direcionar ações*
No estado de São Paulo, abril manteve o mesmo número de feminicídios registrados no ano passado, com 20 ocorrências. No acumulado dos quatro meses, os casos passaram de 81 para 106 feminicídios. O aumento foi puxado principalmente pelo interior paulista, que registrou 76 mortes entre janeiro e abril deste ano, contra 44 no mesmo período de 2025.
Já na região metropolitana de São Paulo, os casos passaram de 14 para 13 no acumulado do quadrimestre. Em abril, foram três feminicídios.
As estatísticas criminais são analisadas de forma segmentada pelas equipes técnicas e operacionais, considerando recortes regionais, sociais e perfis das vítimas para direcionar ações mais efetivas de prevenção e enfrentamento à violência de gênero no âmbito das Delegacias de Defesa da Mulher do estado.
“Os dados mostram a importância do fortalecimento das políticas públicas de proteção às mulheres e da atuação integrada das forças de segurança. Temos ampliado operações, canais de denúncia, monitoramento de agressores e programas de acolhimento para agir de forma preventiva e garantir respostas rápidas às vítimas. O enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade da gestão e exige ação permanente do estado para preservar vidas e romper ciclos de violência”, destacou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
*Prender agressores para proteger mulheres*
O Governo de São Paulo intensificou as ações voltadas ao combate da violência doméstica e à prisão de agressores.
Em fevereiro, uma operação integrada entre a SSP e a Secretaria de Políticas para a Mulher prendeu 430 agressores durante operação realizada às vésperas do Carnaval em todo o estado, por exemplo. Já em maio, a Operação Héstia cumpriu mandados de prisão, busca e apreensão contra foragidos investigados por violência contra a mulher. A ofensiva resultou na prisão de 20 procurados em diferentes regiões da capital paulista.
“Temos ampliado o policiamento especializado e investido em inteligência para identificar situações de risco antes que a violência evolua para crimes mais graves. O enfrentamento ao feminicídio exige presença do estado, resposta rápida e proteção contínua às vítimas”, destacou a coronel Glauce Anselmo Cavalli, comandante-geral da Polícia Militar.
*Rede garante acolhimento e proteção às vítimas*
São Paulo foi o primeiro estado do país a criar uma Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). Atualmente, o estado conta com 144 unidades especializadas, além da DDM Online e das Salas DDMs Online, ampliando o acesso das vítimas ao atendimento policial especializado, acolhimento e solicitação de medidas protetivas.
Outro equipamento fundamental é a Cabine Lilás. Implantada inicialmente na capital paulista em 2024 e expandida para todo o estado, a iniciativa direciona chamadas de violência doméstica feitas ao 190 para policiais femininas capacitadas para orientar e acolher as vítimas, além de acionar viaturas e apresentar os serviços disponíveis para romper o ciclo de violência.
Lançado em 2024, o Aplicativo SP Mulher Segura, reúne serviços de proteção às mulheres em um único ambiente digital, permitindo registro de ocorrência, acionamento emergencial da Polícia Militar e acesso facilitado aos canais de apoio.
O Monitoramento de agressores com tornozeleira eletrônica é outra ação exitosa que está sendo reforçada. Em abril deste ano, o Governo de São Paulo e o Tribunal de Justiça assinaram um acordo para ampliar o monitoramento eletrônico de agressores para todo o estado. Atualmente, há 1.250 equipamentos disponíveis entre tornozeleiras e dispositivos de acompanhamento.
Criada em maio deste ano, a Patrulha SP Mulher Segura é uma força especializada da Polícia Militar que atua de forma ostensiva e preventiva em casos de violência doméstica, especialmente em ocorrências relacionadas à Cabine Lilás e aos acionamentos do botão do pânico do aplicativo SP Mulher Segura.
Também lançado neste ano, o programa Espaço Lilás prevê a instalação de estruturas especializadas dentro de batalhões, companhias e unidades da PM para fortalecer o acolhimento e o atendimento de mulheres em situação de violência doméstica e familiar.