Cia. dos Náufragos encena espetáculo e ministra oficina teatral em Cubatão

Redação Santos Notícias

Sob a direção de Fernando Yamamoto (Clowns de Shakespeare), Instruções para Abraçar o Ar será apresentado no sábado (23/5) e no domingo (24/5), às 20h, no Teatro do Kaos. A entrada é gratuita.

Qual é o peso da memória? Às vezes, quando doce, não passa de uma pena de passarinho. Contudo, quando há marcas profundas, a sensação vem em toneladas. Sendo uma ou outra, algo é comum: a importância de revisitá-la. A partir desta premissa, a premiada Cia. Dos Náufragos (Campinas/SP) sobe ao palco para refletir sobre uma história cravada no âmago da ditadura militar argentina. Instruções para Abraçar o Ar será apresentada sábado (23/5) e domingo (24/5), às 20h, no Teatro do Kaos, em Cubatão (SP). A entrada é gratuita. Importante: Haverá acessibilidade em Libras.

Carregando...

 

Vale destacar que a temporada da montagem, acompanhada pela realização da oficina Corpo da Palavra, foi contemplada pelo Edital ProAC PNAB 22/2024, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Ao todo, quatro cidades do interior de São Paulo serão contempladas pela programação gratuita. Em Cubatão (SP), a passagem da Cia. Dos Náufragos conta com o apoio da Cia Teatro do Kaos.

 

Sob a direção de Fernando Yamamoto, integrante da reconhecida trupe Clowns de Shakespeare (Rio Grande do Norte), a cena de Instruções para Abraçar o Ar vem ocupada pela atriz Gisele Nunes e pelo ator Miguel Damha, da Cia. Dos Náufragos. No palco, a dupla revisita o texto homônimo do dramaturgo argentino Arístides Vargas, um dos grandes nomes atuais do teatro latino-americano.

 

“Trata-se de um autor pouco conhecido no Brasil por mais que seja um dramaturgo amplamente conhecido e montado por todo o mundo. Isso não acontece só pela genialidade do seu texto, mas também pela relevância dos temas que ele aborda. É um artista que foi vítima da ditadura, fugiu exilado ainda adolescente da Argentina porque estava sendo perseguido. A partir da experiência de vida e da vivência de seus companheiros, ele trata de questões tão difíceis e pesadas de uma forma muito poética e divertida”, destaca Fernando Yamamoto.

 

Por falar em partilha, o espetáculo também se torna a celebração do encontro artístico entre duas companhias teatrais de referência: Clowns de Shakespeare e Cia. dos Naufrágos que vem sendo concebido ao longo de uma década de intercâmbio. Para selar essa parceria cênica, como destaca o diretor da montagem, as trupes evocaram no palco as potencialidades do teatro popular.

 

“Entendemos o teatro popular não apenas como aquelas linguagens associadas à cultura de tradição, mas como um teatro que está primordialmente interessado em se conectar com o público. Nesse sentido, mesmo sendo um trabalho para sala — e não para a rua, onde tanto Clowns quanto Náufragos já transitaram e pela qual têm grande interesse —, trata-se de um trabalho cujo desejo prioritário é se relacionar com o público a partir dessas questões e desses temas que estamos abordando”, pontua o diretor.

 

E quais são essas questões? Em síntese, a trama acompanha a trajetória de Chicha Mariani, uma das fundadoras do movimento Avós da Praça de Maio, na Argentina, marcada por uma busca incansável: a da neta Clara Anahí, sequestrada pelas forças de segurança da ditadura após o fuzilamento de familiares e militantes de oposição ao regime. Ao lançar mão de elementos fantásticos e do absurdo, a narrativa contribui para resgatar e reinscrever na memória coletiva um desses episódios brutalmente apagados da história latino-americana.

 

“Quando fatos históricos que envolvem atitudes criminosas e permanecem impunes são categoricamente apagados, qualquer forma de revisitá-los é uma tentativa de romper um ciclo de impunidade. A cena instaura novamente esses fatos, reescreve o que foi apagado e tem a potência de trazer uma urgência para que as coisas mudem, para que haja reparação, para que a verdade e o direito à verdade sejam respeitados”, pontua a atriz Gisele Nunes.

 

Um dos destaques da montagem está na pluralidade do elenco. Gisele Nunes e Miguel Damha interpretam as seis personagens do espetáculo. “Somos dois cozinheiros, dois vizinhos e o casal de protagonistas que transita de forma muito fluida entre os papéis de avô, avó e narradores. Essa troca de personagens traz uma dinâmica interessante para a obra, e o cenário foi projetado para acompanhar esse trânsito constante. Para os atores, isso é complexo, desafiador e divertido”, acrescenta a atriz.

 

Outro ponto marcante, que vai ao encontro da identidade da Cia. dos Náufragos, está na execução ao vivo da trilha sonora e na concepção autoral das canções. “Nesse espetáculo, podemos dizer que a música também ocupa um lugar de resistência histórica, já que muitas histórias se mantêm por meio de canções que as eternizam. A canção é uma forma milenar de manutenção e transmissão de conhecimentos, principalmente quando não há registros físicos. Na obra, a música não apenas traz informações, como também instaura atmosferas e revela emoções”, conta Gisele.

 

Para o diretor da montagem, a concepção do espetáculo contribui para o fortalecimento de um movimento de resistência e luta por um país mais justo, por um continente mais justo, por um mundo mais justo. Gisele completa: “Todo o espetáculo é referenciado por artistas latino-americanos. Somos parceiros na vida e na arte, na história e nas lutas, e queremos compartilhar esse nosso processo, que fala sobre ausência ao mesmo tempo em que celebra o teatro que nos aproxima e que resiste.”

 

Oficina Gratuita

Ministrada pelos artistas Gisele Nunes e Moacir Ferraz, a oficina gratuita Corpo da Palavra acontecerá sábado (23/5) e domingo (24/5), das 14h às 17h, no Teatro do Kaos (Praça Joaquim Montenegro, 34, Largo do Sapo, em Cubatão | SP).

 

“O objetivo da ação é desenvolver a consciência de cada participante quanto ao modo pessoal de se expressar por meio da voz, e desenvolver esse potencial expressivo por intermédio do trabalho com o texto. A premissa é trabalhar a voz como parte invisível do corpo e usar a palavra para afetar os sentidos, instigar a imaginação e gerar ação”, destaca a atriz Gisele Nunes.

As inscrições gratuitas podem ser realizadas por meio do @ciadosnaufragos.

 

FICHA TÉCNICA

 

Texto

Aristides Vargas, com adaptação da Cia dos Náufragos

Direção

Fernando Yamamoto

Assistência de direção

Moacir Ferraz

Elenco

Gisele Nunes

Miguel Damha

Direção Musical e Sonoplastia

Bruno Cabral

Preparação Corporal

Ésio Magalhães

Paula Queiroz

Figurino

Laura Françoso

Cenografia

Cia dos Náufragos

Bueno Cenário

Iluminação

Eduardo Brasil

Identidade Visual

Renan Vilella Alves

Duração: 65 minutos
Classificação etária: a partir dos 14 anos

 

SAIBA MAIS

O quê: Instruções para Abraçar o Ar
Quando:
Sábado (23/5) e domingo (24/5), às 20h
Onde:
Teatro do Kaos (Praça Joaquim Montenegro, 34, Largo do Sapo, em Cubatão | SP)
Quanto:
Entrada gratuita
Importante:
Acessibilidade em Libras
Informações: @ciadosnaufragos

 

 


Veja também:

Manifestação no Aeroporto de Guarulhos pede fim da escala 6×1
Entenda o que pode ou não ser deduzido como despesa médica no IR
GCM apreende mais de 90 porções de drogas durante patrulhamento na Vila São Jorge
Obras da Sabesp interditam trecho da Avenida Nações Unidas, em São Vicente, a partir desta sexta-feira (22)

Mais lidas hoje: