Encontro discute caminhos para o desenvolvimento do Centro Histórico de Santos

Redação Santos Notícias

Entre casarões centenários, fachadas imponentes e ruas que guardam a memória do ciclo do café, o Centro Histórico de Santos volta ao centro do debate sobre desenvolvimento urbano. Mais do que preservar o passado, a proposta  é transformar prédios tombados em ativos econômicos, capazes de atrair investimentos, gerar empregos e impulsionar um novo ciclo sustentável para a região.

A discussão foi o eixo central de encontro nesta quarta-feira (25), no Parque Tecnológico, que recebeu o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass. A reunião foi promovida pelo ILIS – Instituto Litoral Paulista de Inovação e Startups, Instituto Multiplicidades e pelo próprio Parque Tecnológico, com apoio da Associação Comercial, Sebrae e Prefeitura.

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Empresários, investidores, arquitetos, gestores públicos, guias de turismo e representantes do ecossistema de inovação participaram do debate, que apontou para um novo ciclo de ocupação urbana na região central.

Logo na abertura, Leandro Grass defendeu uma mudança de mentalidade.“Patrimônio histórico não é obstáculo ao desenvolvimento. Ele pode e deve ser ativo econômico. O que precisamos é criar condições reais para que esses imóveis tenham uso, gerem emprego e renda e continuem preservados”.

A proposta foi discutir mecanismos concretos para transformar prédios tombados em oportunidades de negócio, com incentivos reais, segurança jurídica e menos burocracia. “Estamos implementando o Sistema Nacional de Patrimônio Cultural e aproximando as prefeituras para estruturar três pontos essenciais: uma base institucional clara para o patrimônio, uma legislação municipal bem definida e mecanismos de financiamento dentro do pacto federativo”, destacou Grass.

O diagnóstico é conhecido: muitos prédios históricos permanecem vazios não por falta de potencial, mas pela dificuldade de equilibrar custos, exigências legais e retorno financeiro. “É fundamental apoiar projetos e obras que evitem o abandono dos centros históricos, com fiscalização preventiva e instrumentos que estimulem a ocupação. Patrimônio não é disputa de competência. É colaboração entre os entes federados”.

A ideia é que casarões e prédios históricos possam abrigar startups, empresas de base tecnológica, escritórios compartilhados, espaços culturais e projetos de moradia, mantendo a identidade arquitetônica e fortalecendo a dinâmica econômica local. O movimento marca uma mudança de tom no debate sobre preservação. Em vez de discutir apenas restrições, o foco passa a ser viabilidade, inovação e geração de valor.

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