Motorista que atropelou e matou motociclista em Santos será julgado por homicídio com dolo eventual

Redação Santos Notícias
Foto: Reprodução

O jovem João Pedro Donatone, que avançou o sinal vermelho e provocou a morte do motociclista Caetano Ribeiro Aurungo, em Santos, será levado a júri popular. Ele responderá por homicídio na forma de dolo eventual — quando não há intenção direta de matar, mas o risco do resultado é assumido.

O acidente ocorreu na madrugada de 19 de outubro de 2024, no cruzamento das ruas Álvaro Alvim e Conselheiro Lafayette, no bairro Embaré. Na época, João, com 19 anos, atravessou o semáforo em alta velocidade e atingiu a moto de Caetano, de 21 anos, que morreu no local. Atualmente, o réu cumpre medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

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Após duas audiências de instrução, com depoimentos do acusado, policiais e demais testemunhas, a Justiça de Santos decidiu encaminhar o caso ao Tribunal do Júri.

Relatos e indícios de embriaguez

Testemunhas afirmaram que Caetano teria buzinado pouco antes da colisão e que o carro de João estava em alta velocidade. Há ainda relatos de que o motorista apresentava sinais de embriaguez e não se preocupou com o estado da vítima após o impacto.

A defesa tentou desclassificar o crime para homicídio culposo, sustentando que não havia intenção ou aceitação do risco de matar. Os advogados também apresentaram um laudo técnico alegando que a moto de Caetano trafegava a mais de 90 km/h. Mesmo assim, o juiz ressaltou que, havendo dúvidas, a análise deve ser feita pelo júri popular.

Conversas revelam consumo de álcool

Um exame realizado no Instituto Médico Legal não confirmou a embriaguez, mas apontou sinais de ingestão de álcool. Além disso, perícia no celular de João revelou trocas de mensagens em que ele comentava sobre a reserva de um camarote em uma boate na noite anterior e combinava de sair com amigos.

Nas conversas, amigos relatavam que estavam em carros diferentes, mas no mesmo trajeto, momentos antes da batida. Um deles chegou a dizer que levaria água para “ajudar a fazer o álcool passar”. Já em outra mensagem, João enviou uma foto de si mesmo com a legenda “eu 20 min antes da merda”, em referência ao acidente. Após o ocorrido, ele confessou a um contato que avançou o semáforo vermelho e atingiu a moto.

Detalhes da ocorrência

O acidente foi registrado pela Polícia Militar por volta das 3h40. Quando a equipe chegou, Caetano já estava sendo atendido pelo Samu, mas não resistiu. O local ficou isolado até a retirada do corpo e a ocorrência foi encaminhada à Central de Polícia Judiciária.

Imagens de câmeras de monitoramento registraram o momento em que o carro passou pelo sinal vermelho e atingiu o motociclista.

Quem era Caetano

Caetano, de 21 anos, morava com os avós paternos no bairro Aparecida, ao lado dos dois irmãos mais novos, uma menina de 14 anos e um menino de 11. O pai do jovem faleceu em agosto de 2024, após um período de reaproximação com o filho. A avó, que possuía a guarda dos três netos, relatou que Caetano estava feliz com a retomada do convívio com o pai pouco antes da doença que levou à sua morte.

Posição da família e acusação

Para os advogados que representam a família de Caetano, as provas demonstram que João assumiu o risco ao dirigir em alta velocidade, atravessar o sinal vermelho e ingerir bebida alcoólica. Segundo eles, a decisão de levá-lo ao júri popular reflete a gravidade do caso e garante que a sociedade dê sua resposta diante da morte do jovem.

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