Plano inédito de urbanização, Parque Palafitas, em Santos, está pronto para receber seus primeiros moradores

Redação Santos Notícias
Foto:Prefeitura de Santos/Divulgação

O primeiro passo para uma nova vida foi dado por 60 famílias da Vila Gilda na manhã desta quinta-feira (30), na Zona Noroeste de Santos. O recebimento simbólico de chaves para futuros moradores marcou a cerimônia de entrega da obra do projeto-piloto do Parque Palafitas, plano inédito de urbanização no País que garantirá mais dignidade e novas perspectivas de vida.

As mudanças estão previstas para começar na primeira quinzena de maio.

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Com moradias construídas sobre as águas e completo sistema de infraestrutura, o projeto assinado pelo escritório do urbanista Jaime Lerner, um dos mais influentes do mundo, visa reduzir a desigualdade social em Santos, transformando as áreas de palafitas em lugares mais humanos, mais verdes e mais sustentáveis, com captação de energia solar para atendimento às áreas comuns.

A iniciativa é resultado da parceria entre os governos federal, que cedeu a área; estadual, com investimentos de mais de R$ 25 milhões, e contrapartida da Prefeitura. O plano inovador foi destaque no evento Smart City Expo World Congress, em Barcelona (Espanha), em 2024, apresentado pela arquiteta e urbanista Ariadne Daher, sócia do escritório Jaime Lerner. Também foi apresentado pela Prefeitura em 2022, durante a 14ª Conferência Anual da Rede de Cidades Criativas da Unesco, realizada em Santos.

“A Vila Gilda é lar de pessoas persistentes que a reconhecem como o local de dignidade, local de trabalho, de viver. É aqui que está a história dessas pessoas e queremos que permaneçam aqui, mas com sossego, tranquilidade,segurança, casa própria. Com policlínica, Centro da Juventude e o Bom Prato”, explica o prefeito Rogério Santos.

“Este projeto é um primor em termos de urbanismo, altamente sustentável, e estamos acompanhando o desenrolar da obra. Estivemos aqui no ano passado e em janeiro, fiscalizando cada etapa. E, agora, estamos em condições de entregar”, afirma o governador Tarcísio de Freitas.

O governador também destacou a construção da Praça da Cidadania, em frente ao empreendimento, que contará com quadras de esportes e cursos profissionalizantes.

Uma das futuras moradoras do empreendimento, a empregada doméstica Maria José do Nascimento Santos, de 62 anos, mora na região há 35 anos, estando prestes a realizar um sonho de décadas. “É uma dádiva, aqui é muito bom. Lá a moradia é muito difícil e precária e nós sempre sonhamos muito com isso aqui: com moradia digna, um lugar digno pra deitar e dormir sem medo, sem perigo, sem sujeira”.

Construído em uma área de 4 mil metros quadrados, onde se encontra uma favela sobre palafitas em área de mangue, o núcleo residencial é formado por dois prédios com dois andares (oito apartamentos cada), um com três andares (12 apartamentos) e um com quatro andares (16 apartamentos), além de 16 casas térreas, quatro delas para pessoas com deficiência (PcD).

Há, ainda, dois blocos comerciais, um com quatro salas e o outro com três, dotados de dois conjuntos sanitários (banheiros masculino e feminino), além de instalações para a associação de moradores.

Por estar inserido em área de mangue, foi construído em nível superior, de maneira a evitar alagamentos. O núcleo dispõe de fornecimento de água e captação de esgotos a cargo da Sabesp e conta com três caixas hidráulicas entre os prédios – uma destinada à água de sabão (o líquido usado segue direto para o ramal de captação assentado na rua), outra para a água de esgoto (líquido usado e que contém também gordura) e a terceira, para a coleta da água pluvial.

O sistema de combate a incêndios é integrado por extintores disponibilizados em todos os prédios e central de alarme nas edificações de três e quatro andares, que também contam com hidrantes.

As edificações comerciais possuem placas para captação de energia solar no telhado, que atenderá as áreas comuns. As calçadas são acessíveis e contam com piso em ladrilho hidráulico podotátil. Há área ajardinada e a iluminação está garantida por dois transformadores e quatro postes, com luminárias de LED e  potência máxima de 350 watts.

Cada apartamento tem 41,69m² de área privativa, com sala, dois quartos, cozinha conjugada com lavanderia, banheiro e área de circulação.

Doze casas dispõem, cada uma, de 48,06m² de área construída, dotadas de sala de estar e jantar integrados, cozinha, área de serviço, dois quartos, banheiro e varanda dos fundos.

As quatro casas para pessoas com deficiência contam com sala, dois dormitórios, cozinha, banheiro e área de serviço.

Já as edificações gerais de apoio, institucionais e comerciais ocupam 309 m².

O projeto de revitalização começou a ser viabilizado mediante a utilização da metodologia de estaqueamento com laje, aplicada em outros países e semelhante à empregada na construção de terminais portuários.

São sete lajes de apoio, concretadas sobre 212 estacas com blocos de fundação, fincadas a uma profundidade entre 30 e 35 metros.

O entorno da área das lajes suspensas sobre o mangue conta com proteção de guarda-corpo com peças de cobogó, protegendo os moradores do mangue. Outra parte do guarda-corpo é em estrutura metálica.

A Prefeitura também se responsabilizou pela construção do novo sistema viário e infraestrutura urbana no entorno.

As obras envolveram limpeza e demolições, terraplenagem e nivelamento da área e instalação de sistema de drenagem.

Para completar, pavimentação da Avenida Jornalista Armando Gomes (antiga Beira-rio) entre a rotatória e a Rua Joaquim Teixeira de Carvalho. Esse trecho é um prolongamento da avenida, em frente ao Parque Palafitas, e foi construído para facilitar o acesso ao núcleo residencial.

As obras de fundações e superestrutura, a cargo da empreiteira TMK Engenharia S.A., vencedora da licitação pública, tiveram investimento de R$ 16,5 milhões, sendo R$ 12,3 milhões do Governo do Estado e o restante, do orçamento municipal.

A construção das 60 unidades habitacionais, etapa sob responsabilidade da Tecverde Engenharia S.A., custou R$ 12,6 milhões, sendo R$ 9,3 milhões do Estado e o restante, da Prefeitura. Já a implementação do sistema viário contou com R$ 5,9 milhões, totalizando R$ 35,1 milhões em todo o projeto.

Em janeiro, o Governo de São Paulo assinou convênio de R$ 77 milhões com a Prefeitura de Santos e a Companhia de Habitação da Baixada Santista (Cohab-ST) para a construção de mais 350 unidades habitacionais na Vila Gilda.

As obras serão conduzidas pela Cohab-ST com o objetivo de garantir moradia definitiva a famílias que hoje vivem em áreas inundáveis e em condições de alta vulnerabilidade socioambiental. A fundação dos imóveis será realizada pelo Município, em parceria com o Governo Federal.

A agenda do governador em Santos incluiu visita às obras do primeiro hospital pediátrico público da Região, no futuro Complexo Areia Branca, na Zona Noroeste. O conjunto será formado, além do hospital, por uma unidade de educação infantil, espaços esportivos. A área contará também com um conjunto habitacional de 1.024 unidades, formando um polo integrado de atendimento à população.

No momento, os serviços avançam principalmente nas fundações das estruturas, com destaque para a cravação de estacas do hospital e a concretagem de elementos estruturais nas demais edificações. O Complexo Areia Branca é fruto da parceria entre a Prefeitura e o Consórcio GUV, formado por três empresas do setor portuário, com investimento estimado em R$ 85 milhões.

“O Governo do Estado vai ficar responsável pelo custeio do hospital. A obra e a compra do terreno foram parceria da Prefeitura com a iniciativa privada, aprovada pela Câmara Municipal, onde a Prefeitura permutou uma área de interesse industrial para que seja feito um ramo ferroviário para atender esse consórcio de empresas e, em troca elas adquiriram o terreno e estão fazendo a escola e o hospital”, explica o prefeito Rogério Santos.

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