A dor costuma ser um motivo para procurar o médico. No câncer de próstata, porém, esperar por ela pode atrasar o diagnóstico: nas fases iniciais, a doença pode se desenvolver sem sintomas. Com o tema “Homem que se cuida vai ao urologista”, a campanha Novembro Azul da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) reforça a importância de buscar orientação mesmo quando não há desconforto ou mudanças perceptíveis no corpo.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77.920 novos casos da doença por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Segundo o urologista Fabio Atz, as chances de cura chegam a 90% quando o câncer de próstata é diagnosticado nas fases iniciais.
A próstata é uma glândula do sistema reprodutor masculino, localizada abaixo da bexiga. Ela envolve a parte inicial da uretra, canal por onde a urina é eliminada.
Entre os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer nessa glândula estão o avanço da idade e o histórico familiar, especialmente quando o pai ou um irmão receberam o diagnóstico antes dos 60 anos. O excesso de gordura corporal também está associado a um risco maior de desenvolver a forma avançada da doença.
Mudanças como dificuldade para urinar, jato mais fraco, idas mais frequentes ao banheiro durante o dia ou à noite e sangue na urina merecem avaliação médica.
A investigação pode incluir o PSA, exame de sangue que mede uma proteína produzida pela próstata, e o toque retal, que permite avaliar a consistência da glândula e identificar nódulos ou outras alterações.
Para homens sem sintomas, a necessidade de exames deve ser discutida individualmente, considerando os possíveis benefícios e riscos.
“O PSA não deve ser interpretado isoladamente. Um resultado elevado pode ocorrer por uma alteração benigna e não significa que o paciente tenha câncer ou precise fazer uma biópsia imediatamente. Precisamos avaliar esse resultado junto aos demais achados para definir o próximo passo”, explica Atz.
Se os resultados levantarem suspeitas, a investigação pode prosseguir com uma ressonância magnética e, quando indicada, uma biópsia. A análise das pequenas amostras retiradas da próstata confirma o diagnóstico e fornece informações para orientar o tratamento.
A escolha do tratamento considera a agressividade do tumor, sua extensão e as condições de saúde do paciente. Quando o câncer está restrito à próstata, cirurgia e radioterapia estão entre as opções. Já alguns tumores de baixo risco podem ser acompanhados por vigilância ativa, com consultas e exames periódicos para identificar mudanças que justifiquem iniciar o tratamento.
Nos casos avançados, o tratamento pode incluir medicamentos que bloqueiam a ação dos hormônios que estimulam o crescimento do tumor, associados ou não a outras terapias.
O cuidado com a saúde inclui ainda alimentação equilibrada, atividade física, manutenção do peso adequado e abandono do cigarro. Esses hábitos contribuem para prevenir doenças crônicas, mas não eliminam o risco de câncer de próstata nem substituem a avaliação médica.
“Não é preciso sentir dor para ter um motivo para se cuidar. Estar bem é uma oportunidade de olhar para a saúde com atenção, e não uma razão para adiar esse cuidado”, conclui Fabio Atz.