Alunos da Rede Municipal representam Itanhaém no Palácio das Artes com a cena “Retorno do Rei”

Redação Santos Notícias

25 estudantes da rede municipal participaram do Festival de Teatro de Praia Grande, nesta sexta-feira (11), com a apresentação da cena “Retorno do Rei”, no Teatro Serafim Gonzalez, o Palácio das Artes.

A produção foi uma das quatro selecionadas para se apresentar no espaço e a única de uma escola pública a representar, reunindo 23 alunos da EM Osmar Rodrigues, do Balneário Gaivota, e dois da EM Harry Forssell.

Carregando...

Siga a Prefeitura de Itanhaém no Instagram, no Facebook, no Twitter, no Youtube e no Flickr

A apresentação, que aconteceu no mês em que é celebrado o Dia Nacional do Teatro, marcou mais um capítulo da trajetória do projeto Teatro Arte e Realidade, idealizado pelo professor da rede Alexandre Monteiro de Barros.

Durante 15 minutos, os estudantes deram vida à cena, uma continuidade da Paixão de Cristo. Para alguns, porém, aquele momento significava muito mais do que interpretar um personagem.

Maryane Cerqueira dos Santos, atriz principal da apresentação, olhou para a plateia e sentiu o conhecido frio na barriga. Era a primeira vez que a estudante subia a um palco tão grande, diante de tanta gente.

Por alguns instantes, achou que não conseguiria. Mas as luzes se acenderam. E Maryane entrou em cena.

“Eu nunca tinha participado de algo tão grande e cheio de gente. Eu achei que não ia conseguir, mas eu consegui e foi incrível”, conta.

Mas o que o público viu naquela noite, começou anos antes, dentro de uma escola municipal.

Criado em 2022, na EM Bernardino de Souza Pereira, o projeto Teatro Arte e Realidade nasceu pelas mãos de Alexandre com uma proposta que ultrapassa a preparação para apresentações. A ideia é utilizar o teatro como ferramenta para desenvolver a expressão, a autoestima, a convivência e a confiança dos estudantes.

De lá para cá, o projeto cresceu, passou por diferentes escolas da rede municipal e chegou a uma nova marca, 16 peças produzidas.

Para Alexandre, entretanto, o verdadeiro resultado não está na quantidade de espetáculos. Mas nas mudanças que ele acompanha na vida dos estudantes.

“O projeto tem um propósito muito maior do que as apresentações ou as peças. Ele transforma a vida desses jovens, dando motivação, elevando a autoestima, fazendo-os superar a timidez e seus próprios limites”, afirma.

Segundo o professor, alunos que antes apresentavam dificuldades de frequência passaram a frequentar mais a escola. Estudantes desmotivados também começaram a se dedicar mais às aulas e até as outras disciplinas para continuarem fazendo parte do grupo de teatro.

Para Lucas Sakalauskas Baiadori, o teatro foi uma oportunidade de enfrentar um desafio pessoal, a timidez.

O estudante conta que participar do projeto ajudou a desenvolver a autoconfiança e a segurança para falar em público.

E cada aluno parece encontrar no teatro uma descoberta diferente. Alguns aprendem a se expressar. Outros descobrem a importância do trabalho em equipe. Há ainda quem encontre no grupo um espaço de acolhimento e pertencimento.

Ao longo dessa trajetória, Alexandre também acompanhou estudantes que passaram por momentos difíceis e encontraram no teatro uma motivação para continuar participando da vida escolar.

É justamente esse resultado que faz o professor enxergar o projeto para além dos palcos.

Uma história que também mudou o professor

A relação de Alexandre com o teatro também nasceu de uma experiência pessoal.

Depois de passar um ano sem andar, ele encontrou na arte uma nova fonte de alegria e motivação. Aquilo que devolveu sentido à sua própria vida despertou nele o desejo de proporcionar aos estudantes a mesma experiência.

Foi assim que o teatro passou a fazer parte de sua trajetória como professor e, principalmente, da história de centenas de alunos.

Hoje, além de preparar jovens para uma apresentação, Alexandre acompanha conquistas que nem sempre aparecem diante de uma plateia.

O aluno que vence a timidez. Aquele que passa a frequentar mais as aulas. O estudante que recupera a motivação. O grupo que aprende a trabalhar em equipe e a confiar uns nos outros.

Para ele, são essas conquistas que fazem cada ensaio valer a pena.

Talvez alguns dos 25 estudantes que estiveram no Palácio das Artes descubram, no futuro, que querem ser atores ou atrizes. Talvez outros escolham caminhos completamente diferentes.

Ainda é cedo para saber.

O que já sabem é que são capazes de enfrentar desafios, falar diante de uma plateia, trabalhar em equipe e acreditar mais em si mesmos. Porque foi justamente isso que o teatro ensinou.

Maryane entrou no palco acreditando, por alguns instantes, que não conseguiria. Saiu de lá com a certeza de que conseguiu.

Haisla Puzenato e Estella de Jesus Soares também deixaram o palco motivadas. Saber que a apresentação agradou ao público trouxe a sensação de que todo o esforço dos ensaios valeu a pena e aumentou ainda mais a vontade de continuar.

Os aplausos podem até durar alguns minutos, mas a experiência fica e estabelece a confiança, para acreditar que cada um é capaz de escrever os próprios caminhos.

Veja também:

Alunos da Rede Municipal representam Itanhaém no Palácio das Artes com a cena “Retorno do Rei”
Assédio e sobrecarga ameaçam saúde mental de jornalistas, diz pesquisa
Cubatão abre inscrições para curso gratuito de produção de bijuterias e empreendedorismo
Habitação abre inscrições para unidades remanescentes do Edifício Castro

Mais lidas hoje: