Conheça Luccas e Thaysla: estudantes da EM Filomena Dias Apelian celebram conquistas e mostram como a escola pode ser um lugar de planejar o futuro

Redação Santos Notícias

No corredor da EM Filomena Dias Apelian, no Jardim Bopiranga, dois sorrisos são conhecidos por todos. Luccas Gabriel e Thaysla Juliana são daqueles alunos que chegam e de alguma maneira, transformam o ambiente. Gostam de conversar, aprender, brincar e estar perto das pessoas. São queridos por professores, funcionários e colegas e carregam uma característica em comum: uma enorme vontade de viver.

Neste Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, a Prefeitura de Itanhaém, por meio da Secretaria Municipal de Educação, convida a conhecer um pouco da história desses dois estudantes da rede municipal. Histórias marcadas por desafios, mas também por conquistas, afeto, determinação e, principalmente, sonhos.

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Luccas tem paralisia cerebral. Thaysla tem mielomeningocele. Mas, para quem convive diariamente com os dois, essas condições estão longe de definir quem eles são.

“Às vezes a gente está cheia de problemas e um minutinho com eles faz tudo desaparecer. Tudo se torna pequeno e irrelevante”, conta a diretora da escola, Fátima Brito.

Se a alegria sempre fez parte da vida de Luccas Gabriel, nos últimos meses ela ganhou um motivo ainda maior para existir.

Depois de passar por uma cirurgia, o menino, que utilizava cadeira de rodas, começou a andar com o auxílio de muletas. Uma conquista que, para ele, representa muito mais do que uma mudança na rotina.

“Andar sempre foi meu sonho e eu sou muito feliz que pude realizar. Eu quero que todo mundo tenha essa chance de poder realizar o seu sonho”, diz Lucas.

Em casa, a avó, Simone Aparecida Silva Tozzi, acompanha de perto cada etapa dessa conquista. Ela conta que o neto já consegue caminhar sem as muletas dentro de casa e que os sonhos do menino não param por aí.

“Eu quero que ele realize tudo o que ele sonha. Ele quer jogar futebol, fazer jiu-jitsu. Que tudo dê certo para que ele consiga”, conta.

Simone cuida de Luccas há quatro anos. Desde que perdeu a filha passou a ser responsável  pelo neto e pela irmã dele, que tinha apenas 11 meses na época.

“A guarda dele e da irmã veio para mim e, naquele momento, minha vida virou de cabeça para baixo. Eu não achava que conseguiria cuidar dos dois. Mas hoje estamos aqui. Eu corri atrás de médico, de cirurgia, e estamos conseguindo vencer dia após dia”, relata.

A caminhada inclui consultas, tratamentos e deslocamentos frequentes para Santos e São Paulo. Uma rotina que exige esforço e dedicação, mas que ganha outro significado a cada conquista.

E Luccas já sabe onde quer chegar. O menino, que sonha em jogar futebol e praticar jiu-jitsu, também tem planos para o futuro, ele quer ser professor de inglês.

Thaysla Juliana também não costuma passar despercebida na escola.

Cadeirante, a menina tem mielomeningocele e enfrenta, desde pequena, uma rotina de consultas, tratamentos e cirurgias. As idas à Santa Casa fazem parte da vida dela e da mãe, assim como os cuidados constantes com a saúde.

Mas quem olha para Thaysla encontra primeiro a menina alegre,  carinhosa e determinada.

“Ela é muito ativa e independente. A Thaysla não fica parada. Ela adora fazer as coisas dela sozinha. Então, se a gente não ficar de olho, ela acaba forçando e inflamando a perna”, conta a mãe, Lucilene de Jesus.

Mesmo diante das dores e das limitações impostas pelo tratamento, Thaysla mantém os olhos voltados para o futuro. E o sonho dela é grande.

“Eu quero estudar muito para ser uma médica. E, assim como os médicos me ajudam, eu quero ajudar outras pessoas”, afirma.

A escola ocupa um lugar especial nessa história. É ali que Thaysla encontra os amigos, aprende, participa das atividades e mostra, todos os dias, sua capacidade de seguir em frente.

Para a assessora pedagógica Luciane Pereira de Souza, acompanhar Luccas e Thaysla é também uma oportunidade diária de aprendizado.

“Eles são muito empenhados e dedicados. A vontade de aprender deles é voraz e isso ensina todos nós. É muito gratificante”, afirma.

Na escola, os dois são reconhecidos pelo desempenho e pelo compromisso com os estudos. Mas talvez uma das maiores lições esteja na forma como eles se relacionam com as pessoas.

Para Fátima Brito, diretora da unidade, Luccas e Thaysla têm uma capacidade especial de transformar o ambiente.

“Eles são muito queridos por todos. O amor e a alegria dessas crianças transformam qualquer dia ruim em um dia bom”, destaca.

Luccas quer ensinar inglês. Thaysla quer ser médica. Um quer jogar futebol e praticar jiu-jitsu. A outra quer cuidar de pessoas. São sonhos diferentes, mas movidos pelo mesmo combustível: a vontade de seguir em frente.

Neste Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, as histórias de Luccas Gabriel e Thaysla mostram que inclusão significa enxergar a pessoa para além da deficiência, com as suas capacidades, seus desejos, sua autonomia e seu direito de sonhar e realizar.

Eles não querem ser lembrados por aquilo que não podem fazer. Mas ser reconhecidos por tudo aquilo que ainda irão conquistar.

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