A cidade litorânea de Mongaguá, em São Paulo, conta com cerca de 62 mil habitantes fixos, mas em feriados a população flutuante salta para 200 mil pessoas espalhadas por 142 quilômetros quadrados. Assistindo ao podcast A Trilha, deparei-me com uma realidade estarrecedora: o policiamento ostensivo da cidade sobrevive à base do improviso e do perigo constante!
Façam as contas desse absurdo: são apenas duas viaturas para atender aos chamados do 190 e cobrir o município inteiro. Há uma viatura de supervisão e, pasmem, uma viatura com dois policiais militares parados exclusivamente à disposição do Capitão. Quatro quadriciclos continuam encostados, enquanto uma viatura e três motos só rodam ocasionalmente por meio da DEJEM, o famoso bico oficial bancado pelo desgaste do próprio agente.
A matemática do pavor é simples e cruel. Dos 58 policiais da cidade, 7 estão no administrativo e 2 fazem companhia ao Capitão da 1ª Cia do 29º BPM/I. Se uma viatura assume uma ocorrência com óbito e precisa preservar o local, e a outra faz um flagrante, o policiamento da cidade simplesmente acaba. Mongaguá apaga! A única pessoa verdadeiramente segura é o Capitão.
O cidadão comum vive apavorado e desprotegido, mas a culpa jamais é do praça, do policial sem patente que está na rua. Esse guerreiro é obrigado a patrulhar em viaturas sucateadas, sem ‘manutenção, que seriam apreendidas na mesma hora se passassem pela fiscalização imposta ao cidadão. O policial sofre humilhações, ganha mal, adoece a mente e vê a própria família sem segurança na mesma comarca.
Isso explica os mais de 900 pedidos de baixa no último ano, as licenças psiquiátricas em massa e o fantasma do suicídio na corporação. Não adianta abrir concursos se o Estado continua descartando e moendo os profissionais experientes. A Polícia Militar de São Paulo precisa de planejamento urgente e de humanidade para quem coloca a própria vida na reta!