O futuro da comunicação também passa pela preservação do meio ambiente

Redação Santos Notícias

Durante décadas, o jornal impresso foi um dos maiores símbolos da comunicação de massa. Diariamente, milhões de exemplares chegavam às bancas, residências e estabelecimentos comerciais, levando informação, conhecimento e acontecimentos que ajudavam a construir a história da sociedade. Entretanto, por trás de cada edição, existia uma estrutura que consumia toneladas de papel, tinta, energia e combustível para que a notícia chegasse ao leitor.

O mundo mudou. A comunicação também. E talvez ainda não tenhamos compreendido completamente o tamanho dessa transformação.

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Quando falamos sobre a evolução dos veículos de comunicação para as plataformas digitais, normalmente destacamos a velocidade da informação, a facilidade de acesso e a possibilidade de acompanhar os acontecimentos em tempo real. Mas existe outro benefício que merece entrar definitivamente nessa discussão: a sustentabilidade.

A migração do jornalismo impresso para o ambiente digital representa também uma mudança significativa na maneira como utilizamos os recursos naturais.

Para termos uma dimensão, em 2010, a circulação média dos jornais brasileiros ultrapassava 8 milhões de exemplares por dia. Eram milhões de folhas impressas, transportadas, distribuídas e, posteriormente, descartadas. Parte desse material seguia para a reciclagem, enquanto outra parcela acabava no lixo comum ou recebia destinação inadequada.

Com a expansão dos portais de notícias, esse cenário começou a mudar. Uma reportagem que antes precisava de milhares de cópias físicas para alcançar o público hoje pode ser acessada simultaneamente por milhares de pessoas, utilizando computadores, tablets e celulares.

Isso significa menos necessidade de impressão, menor circulação de resíduos de papel e a possibilidade de reduzir os impactos ambientais relacionados à produção e à distribuição física da informação.

É importante reconhecer que o papel pode ter origem sustentável, inclusive de florestas plantadas, e que a comunicação digital também consome energia e recursos tecnológicos. Entretanto, reduzir a dependência de materiais descartáveis e estimular o consumo consciente são passos importantes na construção de uma sociedade ambientalmente responsável.

Afinal, não estamos falando apenas de agilidade na hora de transmitir a notícia. Estamos falando também de agilidade na preservação do meio ambiente.

A transformação digital não espera por ninguém

Existe, porém, outra reflexão que considero indispensável.

Ao longo dos últimos anos, acompanhamos o enfraquecimento e até o encerramento das atividades de empresas tradicionais de comunicação. Organizações que durante décadas foram referências em suas regiões descobriram, muitas vezes tarde demais, que tradição e credibilidade, embora fundamentais, não garantem sozinhas a sobrevivência de um negócio.

O comportamento do consumidor mudou. O leitor deixou de esperar pelo jornal do dia seguinte. A notícia passou a chegar pelo celular, pelas redes sociais, pelos aplicativos de mensagens e pelos portais digitais.

Empresas que não compreenderam essa mudança enfrentaram dificuldades. Algumas conseguiram se reinventar. Outras perderam espaço, receitas e relevância.

E aqui surge uma pergunta que todos os empresários da comunicação deveriam fazer: estamos realmente preparados para o futuro ou apenas tentando acompanhar o presente?

Ter um site ou uma página nas redes sociais já não representa, por si só, inovação. A verdadeira transformação exige planejamento, investimento em tecnologia, qualificação profissional, novos modelos de negócios e, principalmente, disposição para compreender como a sociedade deseja consumir informação.

Quais serão os próximos passos da informação digital?

A inteligência artificial, a automação, a personalização de conteúdo e as novas formas de interação com o público já estão modificando o jornalismo.

Nos próximos anos, a tendência é que a informação se torne ainda mais acessível, interativa e integrada ao cotidiano das pessoas. Os veículos de comunicação precisarão aprender a trabalhar com diferentes formatos, novas tecnologias e públicos cada vez mais exigentes.

Mas essa evolução também traz responsabilidades.

Como garantir a credibilidade das notícias diante da velocidade da informação? Como utilizar a inteligência artificial sem comprometer a ética jornalística? Como reduzir o consumo energético das plataformas digitais? Como preservar a independência editorial diante da concentração das receitas publicitárias nas grandes empresas de tecnologia?

Essas perguntas precisam ser debatidas agora.

O futuro da comunicação não pode ser analisado apenas pela quantidade de visualizações, seguidores ou acessos. Precisamos discutir também os impactos sociais, econômicos e ambientais de cada inovação.

Sustentabilidade também é uma decisão empresarial

Acredito que as empresas de comunicação têm uma responsabilidade que vai muito além de informar.

Somos formadores de opinião. Participamos da construção do pensamento coletivo e temos a oportunidade de incentivar comportamentos mais conscientes.

Quando um veículo investe em processos digitais eficientes, reduz impressões desnecessárias, adota práticas responsáveis de descarte de equipamentos eletrônicos e promove a educação ambiental, também contribui para uma transformação positiva da sociedade.

A sustentabilidade precisa deixar de ser apenas assunto de reportagem para fazer parte da gestão das próprias empresas.

E isso vale não apenas para os grandes conglomerados de comunicação, mas também para os veículos regionais e independentes, que desempenham um papel fundamental na informação de milhares de brasileiros.

O futuro precisa ser estudado hoje

Se existe uma lição que a transformação da imprensa nos deixou, é que nenhuma empresa está imune às mudanças.

O que hoje parece moderno poderá estar ultrapassado amanhã. O que atualmente consideramos indispensável poderá ser substituído por uma tecnologia que ainda nem conhecemos.

Por isso, estudar o futuro da comunicação não é um exercício de imaginação. É uma necessidade empresarial, social e ambiental.

Precisamos promover debates, investir em conhecimento e compreender os impactos das nossas decisões no cotidiano das pessoas e do planeta.

Não basta perguntar como a notícia chegará mais rápido ao leitor. Precisamos perguntar como ela chegará com mais qualidade, responsabilidade, credibilidade e menor impacto ambiental.

A informação digital abriu uma nova era para o jornalismo. Cabe a nós decidir como aproveitar essa oportunidade.

Porque o futuro da comunicação não será definido apenas por quem conseguir informar primeiro, mas também por quem souber inovar, preservar e compreender as necessidades das próximas gerações.

E talvez essa seja a maior notícia que ainda precisamos aprender a contar.

Athos Guerra
Jornalista, Escritor e Empresário

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