Outubro é marcado por ações de conscientização sobre o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), condição do neurodesenvolvimento que pode se manifestar na infância e acompanhar a pessoa ao longo da vida.
Embora o transtorno seja frequentemente associado a crianças em idade escolar, ele também pode estar presente na adolescência e na vida adulta. Estudos internacionais apontam prevalência em torno de 3% entre adultos, embora as estimativas variem conforme o método de diagnóstico e a população avaliada.
O transtorno pode envolver desatenção, impulsividade e hiperatividade, mas os sinais não aparecem da mesma forma em todos os casos. Em algumas pessoas, predominam dificuldades de concentração, organização e planejamento. Em outras, podem aparecer inquietação, impulsividade e dificuldade para controlar o ritmo das atividades.
Segundo a psiquiatra Dra. Ana Paula Matsumota, é importante diferenciar situações pontuais do dia a dia de sintomas que realmente comprometem o funcionamento da pessoa.
“Todo mundo pode se distrair ou esquecer alguma coisa em determinados momentos. O alerta aparece quando isso se torna frequente, acontece em diferentes situações e começa a prejudicar os estudos, o trabalho, os relacionamentos ou a organização da rotina”, explica.
Embora seja bastante associado à infância, o TDAH também pode ser identificado na adolescência e na vida adulta. Nessa fase, os sinais podem aparecer de forma menos evidente, com atrasos recorrentes, dificuldade para cumprir prazos, desorganização, problemas para manter o foco e sensação de estar constantemente sobrecarregado.
O aumento da discussão sobre o transtorno nas redes sociais ajudou a ampliar o acesso à informação, mas também trouxe um desafio: muitas pessoas passaram a se identificar com os sintomas e concluir, por conta própria, que têm TDAH.
“Ter acesso à informação é positivo, mas o diagnóstico precisa considerar a história de vida, a intensidade dos sintomas e o impacto que eles causam no dia a dia. Outros quadros também podem provocar dificuldade de concentração, por isso a avaliação individual é fundamental”, afirma a psiquiatra.
O tratamento depende de cada caso e pode envolver acompanhamento médico, psicoterapia, estratégias de organização da rotina e, quando necessário, medicação.
Além de ampliar o conhecimento sobre o transtorno, a conscientização também ajuda a combater rótulos ainda comuns. Dificuldades relacionadas ao TDAH não devem ser confundidas simplesmente com preguiça, falta de interesse ou falta de disciplina.
“Informação ajuda a reduzir preconceitos, mas o mais importante é entender que o TDAH precisa ser avaliado com cuidado. O diagnóstico não é um rótulo, e sim uma forma de compreender dificuldades que muitas vezes acompanharam a pessoa por anos e, a partir daí, buscar estratégias e tratamento adequados”, conclui a médica.