No dia 16 de setembro, publiquei o artigo “A Miragem da PM em Mongaguá”, expondo a realidade da segurança local: mais de 60 mil moradores — número que triplica na temporada — sobrevivendo com apenas duas viaturas de rádio patrulha no 190 para 142 km², enquanto quadriciclos apodrecem parados e agentes fazem a escolta do comandante da 1ª Cia. O texto repercutiu na Baixada, circulou nos quartéis e causou forte incômodo.
A resposta, contudo, não veio no asfalto, mas nas redes: contenção de danos e publicidade. O ápice foi um cartaz em estilo anime de uma policial anunciando a “Operação Impacto — Força Total em Mongaguá”.

Foto/Reprodução: Divulgação oficial / Redes Sociais do 29º BPM/I.
O segredo de bastidor desse aparato: esse efetivo de vitrine não atende ao 190. A atuação direta só ocorre em ocorrências de extrema comoção. Fora isso, a presença se limita a bloqueios para multar e guinchar veículos de trabalhadores, gerando estatística e engajamento no Instagram. Não há patrulha subindo morro ou entrando nas ruas escuras da periferia; para o morador comum, o socorro continua na fila de espera, refém das mesmas duas viaturas sobrecarregadas.
A própria comunidade expôs a encenação nos comentários da página, cobrando ronda preventiva nos bairros. Passado o show digital, a operação sumiu e o abandono permaneceu. Segurança não se faz com marketing de gabinete; exige planejamento, policiais valorizados e viaturas em condições reais de uso onde o cidadão precisa.
Sobre a Autora: Perdi meu filho para o suicídio, transformei a dor em propósito e hoje acolho vidas no projeto “Não te julgo, te ajudo!”. WhatsApp: (11) 94813-7799 | Instagram: @sandracamposa_
Nota: As opiniões expressas pelos colunistas e articulistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não refletem, necessariamente, o posicionamento ou a linha editorial deste portal.