Gabriel Pierin, do Centro de Memória
A conquista da Copa Libertadores da América de 2011 marcou o retorno do Santos ao topo da principal competição continental após 48 anos. O título foi confirmado em 22 de junho, quando a equipe venceu o Peñarol por 2 a 1 no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, diante de 40.157 torcedores. Foi a terceira Libertadores da história santista, repetindo os feitos de 1962 e 1963.
A campanha teve início de forma irregular. Classificado para a competição por ter conquistado a Copa do Brasil de 2010, o Santos estreou em 15 de fevereiro com um empate sem gols diante do Deportivo Táchira, na Venezuela. Em 2 de março, voltou a empatar, desta vez por 1 a 1 com o Cerro Porteño, na Vila Belmiro. Elano abriu o placar de pênalti aos nove minutos do segundo tempo, mas Edu Dracena cometeu uma penalidade nos acréscimos, permitindo o empate paraguaio.
O resultado agravou o momento da equipe. Com menos de nove mil pagantes na Vila Belmiro, em uma noite marcada pela chuva e pelo alto preço dos ingressos, o técnico Adilson Batista foi demitido. O auxiliar Marcelo Martelotte assumiu interinamente o comando.
Em 16 de março, o Santos foi derrotado pelo Colo Colo por 3 a 2, em Santiago. Elano marcou um gol de falta de longa distância, mas os chilenos reagiram e conquistaram a vitória. Após três rodadas, o clube somava apenas dois pontos e ainda não havia vencido na competição.
Diante da situação delicada, a diretoria contratou Muricy Ramalho. Antes de sua estreia oficial, o treinador assistiu à vitória santista por 3 a 2 sobre o Colo Colo, na Vila Belmiro. A partida parecia definida quando Neymar marcou o terceiro gol e comemorou utilizando uma máscara com sua própria imagem, sendo expulso. Também receberam cartão vermelho Zé Eduardo e Elano. Com três jogadores a menos, o Santos sofreu dois gols nos minutos finais e quase permitiu o empate.
A partida decisiva da fase de grupos ocorreu em 14 de abril, data do 99º aniversário do clube. Sem Neymar, Elano e Zé Eduardo, suspensos, o Santos enfrentou o Cerro Porteño em Assunção precisando vencer para seguir com chances de classificação. Muricy promoveu o retorno de Paulo Henrique Ganso, recuperado de lesão, e escalou Diogo e Keirrison no ataque.
Com uma atuação disciplinada taticamente, a equipe venceu por 2 a 1. Danilo abriu o placar aos 11 minutos com um chute de longa distância. No início da etapa final, Ganso lançou Maikon Leite, que ampliou. O Cerro marcou apenas nos acréscimos. Na rodada seguinte, o Santos confirmou a classificação ao derrotar o Deportivo Táchira por 3 a 1 no Pacaembu, com gols de Neymar, Jonathan e Danilo. A derrota do Colo Colo para o Cerro Porteño, em Santiago, garantiu a passagem santista às oitavas de final.
Nas oitavas, o adversário foi o América do México. O Santos venceu por 1 a 0 na Vila Belmiro, com gol de Paulo Henrique Ganso, e empatou sem gols em Querétaro, classificando-se graças também à atuação destacada do goleiro Rafael.
A fase coincidiu com a eliminação dos demais clubes brasileiros que disputavam a competição. Cruzeiro, Internacional, Fluminense e Grêmio deixaram o torneio nas oitavas de final, fazendo com que o Santos passasse a ter a vantagem de decidir os confrontos seguintes em casa.
Nas quartas de final, o adversário foi o Once Caldas, da Colômbia. O Santos venceu por 1 a 0 em Manizales, com gol de Alan Patrick, e empatou por 1 a 1 no Pacaembu, onde Neymar marcou o gol da classificação.
Na semifinal, o reencontro com o Cerro Porteño. No primeiro jogo, disputado no Pacaembu, Edu Dracena marcou o único gol da vitória santista por 1 a 0. Na partida de volta, em Assunção, o Santos abriu 3 a 1 ainda no primeiro tempo, com gols de Zé Eduardo, Neymar e um gol contra de Barreto. O Cerro reagiu e empatou por 3 a 3, mas o resultado classificou o clube brasileiro para a decisão.
A final colocou frente a frente Santos e Peñarol, repetindo o confronto decisivo da Libertadores de 1962. No primeiro jogo, realizado no Estádio Centenário, em Montevidéu, as equipes empataram por 0 a 0 diante de cerca de 60 mil torcedores.
A decisão ficou para o Pacaembu. Logo no primeiro minuto do segundo tempo, Arouca tabelou com Paulo Henrique Ganso e serviu Neymar, que abriu o placar. Aos 23 minutos, Danilo ampliou após jogada individual pela direita. O Peñarol diminuiu aos 34 minutos, com um gol contra de Durval, mas não conseguiu evitar a derrota por 2 a 1.
Com a vitória, o Santos conquistou sua terceira Copa Libertadores da América. O título consolidou Neymar como principal destaque da equipe e projetou internacionalmente jogadores como Danilo e Alex Sandro, que também se tornaram nomes recorrentes da Seleção Brasileira e integram o elenco na Copa do Mundo. Sob o comando de Muricy Ramalho, o clube encerrou um jejum continental de quase cinco décadas e voltou a figurar entre os campeões da principal competição de clubes da América do Sul.