Inclusão e confraternização marcam o Festival Prancha Oca em Santos

Redação Santos Notícias

A manhã deste domingo (5) foi marcada por emoção, energia positiva e muito espírito coletivo na praia da Pompeia, em frente ao Posto 2, em Santos. O Festival Prancha Oca, promovido pela Escola Radical, da Secretaria de Esportes (Semes), da Prefeitura, levou 240 surfistas ao mar em um encontro que teve como principal objetivo a celebração da vida, da amizade e da inclusão – muito além de qualquer competição.

Não houve disputas. Pelo contrário, a confraternização foi o tom do encontro, com muita interação. As ondas pequenas não atrapalharam a festa e garantiram os sorrisos de todos que saiam do mar, reforçando a sua essência participativa. Todos receberam camisetas e medalhas, simbolizando a importância de cada história presente na areia.

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Realizada em parceria com a Blue Med, patrocinadora da escola, o Festival reuniu, na maioria, alunos da Escola Radical, a primeira escola pública de surfe do Brasil, com destaque para a turma 50+, alguns com mais de 70 anos.

Também marcaram presença surfistas veteranos, conhecidos como legends ou pioneiros, vários das décadas de 60 e 70, e integrantes da Escola de Surfe Adaptado, pioneira mundial no segmento, em uma demonstração concreta de inclusão, com participantes com os mais diversos tipos de deficiência.

Entre as histórias inspiradoras, a de Claudimir Fernandes, de 74 anos, um taxista aposentado, que antes sedentário, viu sua vida transformada com o esporte, quando mudou para Santos e sua filha o incentivou.

“Não fazia nada. Ficava sentado dia e noite e agora aprendi a nadar, a surfar também, faço canoa havaiana e pedalo. Fiz muitas amizades. Tenho 150 amigos aqui. O evento foi maravilhoso e ganhei mais uma medalha. Em cinco anos já tenho 20 medalhas”, contou.

Outro exemplo é o de Regina Maria Trancoso Palomares, de 78 anos. Após enfrentar um câncer de mama, estava passeando pela beira do mar, viu os alunos indo para o mar e decidiu que queria aprender o bodyboard. Isso em 2004 e, de lá para cá, se tornou uma aluna assídua e sempre animada.

“Tinha oito meses do câncer quando comecei. Estou há 22 anos aqui. É maravilhoso. Tenho energia. Faço trilha, canoa havaiana no Projeto Kaora. Tive o segundo câncer e continuei aqui. O Cisco é tudo para a gente, um incentivo. O Festival está ótimo, é uma brincadeira e a gente se diverte”, relatou.

Animada, ela comentou sobre as tentativas nas manobras, como o Rollo (giro de 360 graus na vertical, geralmente na crista da onda) e o 360 (giro completo da prancha no eixo horizontal) : “O 360 eu tento e faço 180”, brincou.

Cisco Araña, 69 anos, um dos fundadores da escola, que em 2026 completa 35 anos, ressaltou o verdadeiro propósito do festival. “É um evento que agrega família, valores, tem pioneiros e é um exemplo de camaradagem. É um símbolo de Aloha. Não é competição, é participação”, afirmou.

Ele também falou do papel social da escola, tanto a radical quanto a Adaptado: “A nossa cidade promove inclusão, acessibilidade, gratuidade, o que é fundamental, e esporte para todos. É uma vida incrível. Vamos completar 35 anos, metade da minha vida passei aqui e agradeço por isso”, afirmou Cisco, que no evento teve o apoio de todos os professores e funcionários da Escola, em especial, sua filha Nicole.

Sobre o trabalho com pessoas com deficiência, Cisco foi direto ao ponto: “Nós aprendemos a nos incluir no mundo deles. É empatia. A escola tem esse pioneirismo, essa vanguarda desde lá de trás. Seguimos aprendendo com essas famílias que abraçam seus filhos com amor”.

Criada em 1991, a Escola Radical de Surfe é a primeira iniciativa pública do País no gênero e reconhecida como Patrimônio Imaterial e Cultural de Santos. Nesse período, a estimativa dos responsáveis é que mais de 50 mil alunos, de todas as idades, tiveram iniciação ao surfe.

A vice-prefeita e secretária de Educação, Audrey Kleys, também prestigiou o evento e ressaltou a atmosfera única do local. “São três grandes energias aqui: a do mar, a do Cisco e a que recebemos das pessoas ao final de cada aula. Isso transforma vidas”, disse.

“A gente vê pessoas saindo da depressão, deixando remédios, levando essa vibe para a vida. É algo diferenciado. Que mais pessoas conheçam e usufruam da Escola Pública de Surfe”, complementou.

Após as atividades, o festival promoveu homenagens aos uruguaios Tato Eires e Ana Ortiz, criadores do projeto “Sonhando sobre as Ondas” em seu país, e ao terapeuta Antônio Vasconcelos, que, ao lado de Cisco, ajudou a fundamentar a Escola de Surfe Adaptado.

Sem pódio, sem disputa e com um mar de histórias inspiradoras, o Festival Prancha Oca reafirmou, de forma simples e poderosa, que o esporte, quando acessível e inclusivo, é capaz de transformar vidas, dentro e fora d’água.

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